Ansiedade na sala de embarque

14/05/2014 – As pessoas vivem reclamando das filas nos bancos, nas repartições públicas, nas lotéricas, em todos os lugares, mas brasileiro gosta mesmo é de fila. Prova disso são as salas de embarque. Não consigo entender por que as pessoas fazem fila para entrar no avião. Quando aparece na tela: “embarque próximo”, a cena do desespero começa: duzentas pessoas se aglomeram em frente ao portão de embarque com o mesmo desespero de uma criança na fila de um brinquedo no parque. Quinze minutos depois, sob olhares ansiosos, vem a atendente da cia aérea, explicando que o embarque vai começar, mas que os primeiros a embarcarem serão as prioridades. Nessa hora, fico imaginando o que se passa na mente de quem não é prioridade, ou seja, 90% da fila. Acredito que uns 34 tipos diferentes de raiva: “não tô grávida, não tenho filho pequeno, não sou idoso nem deficiente físico, e para acabar com as minhas chances, não tenho cartão vermelho, ouro, diamante nem American Express, oh!”. Pensa no desespero da criatura, kkkkk. Coitado, não se deu conta de que o avião não vai decolar antes de o procedimento terminar. Desavisado.
Não satisfeita, “a criatura”, quando o avião pousa, dá um pulo da poltrona e se coloca de pé no corredor. Deve pensar: “RÁ! Levantei primeiro, levantei primeiro!”. Só pode se imaginar numa gincana, porque não tem o menor sentido ficar parado no corredor quando todo mundo sabe que isso não vai agilizar a liberação do finger. Portas abertas, bagagem de mão no braço, e lá vai a “boiada”; passos acelerados, ultrapassagens disputadas, e, vinte minutos depois, estão todos em volta da esteira esperando a bagagem despachada. Imagino que a correria deva ser para conseguir o melhor lugar em frente à esteira, e não ter bagagem despachada não é argumento para participar do estouro da “boiada”.
O mais engraçado é ver o sujeito pegando a bagagem depois de mim na esteira. Sendo que, para ser o primeiro a entrar e o primeiro a sair, ficou quinze minutos em pé, em frente ao portão de embarque, e outros quinze no corredor do avião. Eu entrei por último, saí por último, peguei minha bagagem primeiro e agora estou mentalmente mostrando a língua numa careta para ele. Juro. Aí, povo que me irrita. Pra quê essa pressa? Que angústia! Por isso, prefiro sentar na janela, para que os desesperados saiam correndo sem me importunar. Quando sento no corredor, as criaturas ansiosas ficam de pé me fuzilando com os olhos, dizendo mentalmente para eu levantar também. Me finjo de cega e continuo sentada, para o desespero da turma. Meu psiquiatra disse que eu tenho (sofro) de TAG – Transtorno Generalizado de Ansiedade. Se eu, que tenho essa coisa, espero sentada a hora de entrar e sair do avião, qual a patologia desses desesperados?

Da série #CrônicasAntigas
Relembrando!

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