Inseto voador

De 2014 – Numa noite quente de verão, uma amiga e eu resolvemos papear com a casa toda aberta, (incluindo a porta da frente), bebendo um vinho, bem distraídas, quando, de repente, entra um inseto voador gigante na sala. Levantamos correndo e aos berros, e fomos para a rua.
Lá de fora, dava pra ver que o “monstro” havia pousado na parede ao lado do sofá, num canto que, não conseguíamos enxergá-lo de onde estávamos. Tínhamos que fazer alguma coisa, não podíamos nos exilar para o resto da vida na calçada. Nessas horas, falta um homem dentro de casa. O problema é que nós duas estávamos em pânico: ela, de qualquer que fosse o inseto, e eu, acreditando na terrível possibilidade de ser uma barata cascuda. (Deus é testemunha do nível de fobia que eu tenho de baratas). Pensei: “serei eu que terei que enfrentar essa batalha”.
Com o coração disparado e saltando pela boca, pernas bambas e suando frio, tomei coragem e entrei na casa; era , como se nossas vidas dependessem daquele ato. Fui na ponta dos pés, encostando na parede contrária a de onde estava o inseto. Me senti atravessando um campo de guerra, como se, a qualquer momento, pudesse ser atingida mortalmente por um tiro de fuzil (no caso, o ataque do inseto, naquela hora, seria como um tiro de fuzil). Afinal, no nível de pânico em que eu me encontrava, bastava a criatura olhar pra mim que eu morreria na hora, estatelada no chão. Eu sabia que meu coração não sobreviveria a batimentos mais acelerados do que já estavam. Sou muito corajosa mesmo!
Quando terminei de atravessar a casa e chegar à lavanderia, finalmente respirei. Nossa, estava ofegante, mas feliz, porque até ali eu havia sobrevivido. Peguei uma arma poderosa para matar o inimigo, (na verdade era um veneno em spray, mas, pra mim, era como uma arma). Voltei para o campo de guerra, determinada, mirei no inimigo e disparei: tsssssszzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
Ai, meu Deus, ganhei a guerra! Ele morreu! Mas quando eu vi o defunto, percebi que era só um louva-deus! Que ódio, matei um símbolo illuminati por nada. Bom, faz parte, inocentes sempre morrem na guerra. Quando o homicídio terminou, olhei pra rua e disse, vitoriosa, pra minha amiga que ela podia entrar. Porém, percebi que ela não só estava com a taça de vinho em uma das mãos, mas também com a garrafa na outra. Caraca! Sua vida está em perigo, e você salva o vinho? Nem o celular ela pegou. Nessas horas, a gente vê o valor das coisas. Ter amigas alcoólatras não tem preço. Afinal, quem não bebe, não tem história pra contar.

Da série #CrônicasAntigas
Relembrando!

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