Crônica: Quase nada para fazer

O despertador toca, são 8hs. Não gosto de acordar cedo, sei que para grande maioria isso não é cedo, mas eu acho que ninguém deveria precisar sair da cama antes das 10h. Antes mesmo de sair da cama, como de costume, pego meu celular e checo meu face, twitter, insta, whtas, emails. Minha vida social na rede é muito mais agitada que na vida real, sempre tenho mil posts para comentar, curtir compartilhar. Adoro! #quemnunca
Agora corre pq ser mulher não é nada prático! Banho, make, cabelo, salto alto e roupa de executiva pq hj tem reunião importante. Enquanto me arrumo, tomo o café da manhã, atendo e faço ligações andando pela casa de um lado para o outro. Uma última checada no espelho e me encho de uma boa dose de auto-confiança, simbora!
No meio do camino, filha manda whats “me busca na escola”. Ai meu Deus, já falei ontem que eu não ia poder. Todos os filhos adolescentes são assim? Agora tenho que ligar para um, para dois, para três e administrar essa logística. Pronto, resolvi. Entro na reunião e arraso, sei quando arraso. Deu tudo certo, apresentei um projeto e ganhei o cliente.
Agora corre para enfrentar um trânsito de uma hora para chegar no Seminário. Please, pausa de 15 minutos para o almoço. Luxo isso. Ops, mais uma pausa, tenho que depilar a virilha. Mulheres vocês me entendem, umas fugidinhas ao salão são de Lei para nossa sobrevivência. Aproveito os intervalos entre uma palestra e outra, para fazer ligações e até uma mini-reunião. Na volta, penso que estou na marginal Tietê. Que trânsito é esse? Filha chama no whats, desta vez quer dinheiro. De novo!?
Ufa! Consigo chegar para minha última reunião do dia. Novas estratégias traçadas e oportunidade de grandes parcerias. Até que enfim, volto para casa. Tiro o salto, dou uma atenção para minha filha, banho rápido e lá vou eu jantar com as amigas. Quem foi mesmo que inventou a frase que lugar de mulher é na cozinha? Ahhh, me dá licença que eu vou ficar um pouco bêbada.

Da série #CrônicasAntigas
Relembrando!

 

Uma resposta para “Crônica: Quase nada para fazer”

  1. Pati, ao ler o seu texto lembrei-me de um pensamento meu onde agradeci a Deus por minha vida ser tumulto !!! mas o tumulto no bom sentido, pois minha vida começa cedo, tenho um balaio de coisas pra fazer onde meu dia deveria ter 48hs, não tenho reuniões mas meu trabalho com o publico e ainda lido com a crime – sou policial. Eu ainda tenho tempo para academia, pra aula de inglês, sair com filhos, resolver coisas de casa, e etc e etc e etc.
    Adoro o amanhecer e para mim bastam 6 horas de sono, pois quando fechar os olhos ai sim, ao terei como levantar da cama.
    Acredito que a VIDA tem que ser vivida com intensidade em todos momentos, ocasiões e jamais perder uma oportunidade, JAMAIS !!!
    Felicidade minha pois não preciso fazer a virilha, mas se for pra ajudar eu tenho disposição pra ajudar – brincadeira.
    Bom ou ruim, a realidade mostra que nossas vidas sao lancadas para um mundo virtual e muita das vezes acabamos de nos afastar das pessoas.
    Você ja parou pra pensar que da mesma forma que a internet ajudou a aproximar de pessoas em volta do mundo, ela também acabou por nos afastar das pessoas !!
    LOUCURA não e mesmo.
    Mesmo assim, independentemente de qualquer condição sempre tenho uma razão para abrir um bom vinho e dizer OBRIGADO MEU SENHOR PELA MINHA VIDA SER TUMULTO E POR TER QUE ACORDAR CEDO.
    Tã ai,
    Com carinho,
    Rodrigo A
    Mineiro

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