Crônica: Gato preto não dá azar, dá piti

Junho/2014 – Tenho um gato preto, tão peludo, gordo e grandalhão quanto um persa, mas com focinho de angorá. Lindo! Na verdade, ele não é meu (está comigo há dois anos), é do meu irmão que está morando provisoriamente em São Paulo. Quando ele retornar de lá com a família, o pegará de volta. Neste meio tempo, acabei virando a mamãe dele. Quem tem bicho, sabe que os pets viram filhos, e o nosso lado carente e retardado nos faz humanizá-los (colocando neles roupinhas, lacinhos, brinquedinhos) e conversar com eles como se fossem crianças, fazendo aquelas vozinhas ridículas não só quando perguntamos, mas quando respondemos por eles. Se você se identificou: bem-vindo ao clube! Eu também faço tudo isso, e adooooooro!

Hoje cedo, o Blade (nome do meu filho provisório) veio me acordar, subindo em cima de mim com aquelas patas felpudas. Tão fofo! No auge de sua fofice, ele se aninhou, fazendo uma pose que lembrava um coelhinho. Olhei para ele e perguntei (com voz de retardada): “tu pensa que tu é um coelhinho, Blade?” Para minha surpresa, ele respondeu:

– “Mamãe, tu tem uma imaginação muito fértil. Na época da Páscoa, uma visita que estava aqui em casa olhou para mim e disse: “que gato lindo!”. Daí tu sussurrou para ela não dizer aquilo, já que eu acreditava ser o próprio coelhinho da Páscoa. Depois do tal domingo, enquanto tu me olhava dormindo, dizia: “tá cansadinho, tadinho, porque teve que entregar muitos ovinhos ontem”. Como se isso não bastasse, tu também fala para as pessoas que eu penso ser um puma, já que sou preto e ágil. Mais uma vez, tu não quer que eu ouça que sou um gato. Tu fica nessas: “não fala nada, porque agora ele é um puma, o puminha lindo e fofinho da mamãe”. Outras vezes, “eu penso” ser um macaquinho, um gurizinho, e até o dragão do desenho “Como Caçar um Dragão”. Mamãe, eu não sou mais criança, tenho oito anos, o que representa 48 anos humanos! Eu sei que sou um gato e brinco com o ratinho e as bolinhas que tu me deste porque esse é o instinto felino. Eu te amo, tu cuida bem de mim, me faz carinho, limpa a minha caixinha de areia, me dá ração, e brinca sempre comigo. Por isso, não quero que tu fique pensando que eu vou ficar magoado por descobrir que sou um gato. Olha o tamanho do teu cérebro, e olha o tamanho do meu. Depois nós que somos irracionais. #prontofalei.”

Caraca! 48 anos! Acho que o Blade anda estressado. Talvez precise tomar um desses remédios que o psiquiatra me deu.

Da série #CrônicasAntigas
Relembrando!

2 respostas para “Crônica: Gato preto não dá azar, dá piti”

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