Crônica: Nem vem pra Caixa você também

De banco eu não entendo

julho/2014 – Meu cérebro limitado não me ajuda a compreender certas coisas, como, por exemplo, o fato de que, para eu conseguir meu financiamento, fui obrigada a abrir uma conta na Caixa Econômica Federal. Por que mesmo eu tenho que comprar um serviço de péssima qualidade, por um preço altíssimo, se a instituição já está faturando com os juros do empréstimo?
Aí ficam outros pontos de interrogação flutuando na minha cabeça: por que mesmo que a Caixa cobra 15 reais de cesta por mês por uma conta corrente que só existe para debitar a prestação do financiamento, e o único “benefício” que eu tenho é um cartão de débito? Como isso é possível, se o outro banco que eu escolhi para ter conta me oferece cartão de crédito internacional, cheque especial e limite na conta por incríveis nove reais? Aceito ajuda dos universitários para essas dúvidas.
Fazer eu me sentir estúpida e extorquida não é a única habilidade da Caixa. Beeeeem capaz! Eles também podem fazer eu me sentir incompetente. Siiiiimmmm. Eles criaram o aplicativo mais lento de toda história da humanidade. Além de lento, exige tantas senhas que nem eu, que sou a correntista, consigo usá-lo; pensa no ladrão… Óh coitado!
Resumo: já fui até a agência TRÊS vezes para resolver o problema. Eles insistem em me dar uma senha eletrônica que precisa ser atualizada no meu computador, em casa. Olha que ABSURDO: eu tenho que, veja bem, ir até a agência, pegar um número, voltar para casa, tentar fazer um cadastro no computador, para depois ativar o aplicativo no meu celular. Celular que estava na minha mão o tempo todo, dentro da agência! Parabéns para quem pensou neste sistema!!!
Ah, e se fosse fácil assim. Doce ilusão. Eu chego em casa, e o raio da senha não funciona. Adivinha? Tenho que voltar na agência e fazer toda a “via sacra” de novo. Mas para que facilitar se podem dificultar, não é mesmo? Se o aplicativo é feito para ser utilizado no celular, por que eu preciso do computador para ativá-lo? Essa, eu acho que nem os universitários conseguem responder kkkkkk.
Depois de tantas dúvidas sem respostas, só posso pensar que o cara que criou o sistema bancário pensou: vamos inventar uma empresa de entretenimento, já que as pessoas não têm NADA pra fazer. Sim, ele certamente acha que os clientes são um bando de desocupados e que precisam de coisas que os distraiam. Neste caso, a casa oferece: agradáveis filas onde, além de esperar por horas intermináveis, a pessoa já aproveita e fortalece as pernas. Claro que só isso não basta: para ocupar tanto tempo ocioso, vamos providenciar sistemas ineficientes e beeem confusos, com navegação digna de hackers. Assim, ninguém vai conseguir concluir as operações em casa, e as pessoas terão que ir até os centros de entretenimentos, digo, até as agências. Para que a diversão comece logo na entrada, o primeiro desafio é conseguir passar pela porta rotatória! Você já sabe que não vale celular, chaves, moedas, e fivelas, mas, quando menos imagina, pode ser pego com um clips no boleto. RÁ! É muita emoção. Se conseguir vencer o primeiro obstáculo, será contemplado com uma senha única, que lhe dará o direito de esperar por horas para ter um atendimento personalizado. Siiiim, somente você será chamado por este número. Enquanto espera, pode contemplar as paredes brancas, a movimentação dos funcionários felizes que trabalham com suas cabeças baixas enfiadas em suas mesas como se não enxergassem a multidão; os clientes ficam ali amontoados num tipo de “jogo de invisibilidade”. Muito legal, mas esse parquinho de diversões só me faz pensar que eu queria ser pobre um dia, porque todos os dias tá difícil.

Da série #CrônicasAntigas
Relembrando!

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